Economia

A ECONOMIA EM TEMPOS DE PANDEMIA


Em tempos de Pandemia, recebemos a todo momento comentários e dados, corretos e incorretos, sobre a o novo Corona Vírus, formas de se prevenir, métodos de cura, velocidade de transmissão, mortalidade e muitas outras informações relacionadas à área da saúde ou mesmo saúde mental.

No entanto, como a única maneira encontrada por especialistas para abrandar o surto é a prática do isolamento social, como forma de barrar ou pelo menos reduzir a velocidade de contaminação, fica claro que esta ação nos conduzirá a um problema econômico de proporções mundiais.

Neste sentido, vimos aqui tecer alguns comentários tomando por base a teoria econômica e o cenário econômico mundial e regional para tentar trazer alguma previsibilidade sobre o futuro, se é que isso é possível.

Em primeiro lugar gostaríamos de deixar claro que diante do cenário atual é praticamente impossível determinar enfaticamente qual o desfecho para a economia desta parada obrigatória, qualquer pessoa que diga o contrário está blefando.

Sim, o mundo já atravessou outros momentos de surtos e pandemias, porém, o nível de complexidade atual da economia e suas atuais características não têm precedentes na história, portanto trabalhar com as variáveis atuais nos coloca um desafio ímpar que aponta para uma infinidade de possíveis cenários.

Por outro lado, é importante salientar que por mais grave que seja a crise decorrente das ações necessárias para o controle desta pandemia, o mundo não irá acabar. Previsões catastróficas, tanto quanto previsões excessivamente otimistas, tendem a estar equivocadas.

Um novo momento para a humanidade

A capacidade do ser humano de se reinventar e reagir a situações adversas também tem sido potencializada com o passar dos anos. Portanto, a única certeza que temos é que a reação será rápida e trará novas soluções para os problemas que estão sendo postos à mesa, porém os efeitos desta reação deverão ser sentidos ao longo do tempo, transformando de forma definitiva a maneira como vivemos.

Voltando ao aspecto econômico, o que se coloca à frente é uma crise de demanda e de oferta provocada por uma paralisia voluntária da atividade econômica. No entanto, quando ambos os lados do mercado paralisam, ocorre um descompasso, pois as reduções não acontecem em concomitância e isso causa aumento de preços quando a demanda supera a oferta e queda nos preços no caso contrário.

Assim, o que já pode ser observado são variações assimétricas nos preços de algumas mercadorias e esse fenômeno deve se intensificar à medida que ingressamos na fase mais aguda da contaminação.

Crises de oferta ou de demanda são velhas conhecidas dos economistas, mas o chamado lockdown ou parada obrigatória nos conduz a um cenário onde oferta e demanda estão sendo reduzidas e, em alguns casos, paralisadas, gerando sérias distorções e condenando algumas empresas ao fechamento e muitas pessoas ao desemprego  e consequente perda de renda.

Quais os setores mais impactados?

Os setores da economia estão sendo impactados pelos efeitos da pandemia de maneira desigual. Alguns simplesmente congelaram suas atividades, como companhias aéreas e prestadores de serviços de turismo e eventos, outros, por outro lado, até perceberam suas atividades se intensificar, como é o caso de algumas empresas de comércio eletrônico, indústrias de equipamentos médicos específicos ou aquelas empresas com foco em delivery.

Entre esses dois extremos teremos uma gama enorme de ramos da economia que, para sobreviver e voltar a crescer, precisarão se reinventar e repensar a maneira como irão se relacionar com seus clientes daqui para frente. Uma frase de grande impacto comum de se ouvir dita por pessoas da área de saúde e epidemiologistas envolvidos na condução do processo de redução da velocidade de contaminação pelo vírus é a seguinte: “O mundo que conhecíamos mudou, não voltaremos mais à realidade que existia antes da pandemia”.

Ora, se o mundo mudou, como essa mudança irá afetar o comportamento das empresas daqui para frente? A resposta para essa pergunta determinará o sucesso ou fracasso das empresas pós COVID-19.

De maneira simplificada, em economia temos várias linhas de pensamento econômico que podem ser divididas em dois grandes grupos, o primeiro dos liberais ou ortodoxos que defendem a mínima intervenção do Estado na economia e o segundo dos intervencionistas ou heterodoxos, que pregam uma maior atuação do Estado na economia.

Um dos maiores expoentes deste segundo grupo foi o economista John Maynard Keynes, que ganhou notoriedade após a grande depressão de 1929, defendendo que se os Governos não intervissem na economia para minimizar a crise econômica ocorrida naquele momento, os efeitos causados por ela poderiam ser ainda mais devastadores.

Dito isto, a partir do ponto que estamos, o que se pode esperar dos governos e dos Bancos Centrais por todo o mundo, são inúmeras decisões de políticas voltadas para minimizar os efeitos negativos da crise e estimular a atividade econômica. São as chamadas medidas contracíclicas, que de maneira geral culminam com o aumento da quantidade de moeda em circulação e a elevação dos gastos governamentais.

O que podemos esperar para o pós-pandemia?

A maior preocupação advinda destas medidas é o fato de que seus efeitos podem levar a novas distorções como aumento de preços, desequilíbrio na concorrência e aumento do tamanho do Estado.

Especialmente no Brasil, que se esforçava para retomar o controle dos gastos públicos, uma situação como a que estamos vivendo pode jogar por terra boa parte do esforço realizada até o momento, além de aumentar sobremaneira o risco de desvios de dinheiro público, uma vez que essas políticas acabam suspendendo ou abrandando medidas legais de fiscalização e controle dos gastos governamentais.

Mas o que podemos fazer em momentos como esse? A sensação de impotência é enorme e o medo do desconhecido toma conta dos agentes econômicos, inclusive os mais experientes. Algumas dicas são cruciais.

A primeira delas é não tentar adivinhar o futuro, adotando uma postura agressiva quanto a investimentos ou grandes decisões que impactem de maneira definitiva sua renda, assuma que você pode estar certo, mas também pode estar errado e atitudes radicais na direção errada podem condená-lo ao fracasso definitivo.

Algumas direções para os negócios tornaram-se bastante óbvias, pois já representavam uma tendência antes da pandemia e agora devem se consolidar de maneira mais definitiva. É o caso do comércio eletrônico, prestação de serviços on line, delivery e logística.

Dediquem-se a entender e se aprofundar em como colocar o seu negócio ou vida cada vez mais voltado para essa realidade. As mudanças nos perfis de consumo das pessoas serão enormes, fique atento, existirão armadilhas, mas também surgirão inúmeras oportunidades.

E por fim, é fundamental que percebamos que nada disso é por acaso, vivemos cada vez mais uma busca material em nossas vidas, falamos da boca para fora que valorizamos nossa saúde, mas de fato nos envenenamos todos os dias com substâncias, emoções e sentimentos, se não tivermos saúde, física e mental, nada do que fizermos terá qualquer propósito, pois não estaremos aqui para desfrutar.

Autores:
Ms. Marcelo Bosi Rodrigues
Delegado Regional de Ribeirão Preto CORECON/SP

Márcia Lira
Assessora de investimentos BlueTrade

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