Economia

Sua atitude nos momentos de crise e o reflexo no futuro de suas finanças


Estamos no meio de uma crise econômica mundial, uma das mais críticas da história, e que pode se tornar a pior delas pois ainda não acabou!

Mas neste artigo não vamos falar sobre cenário, política, COVID-19... vamos tratar apenas do comportamento dos investidores diante as tempestades no mercado.

Antes de ir direto ao ponto quero contar um pouco do que aprendi com as pessoas de maior sucesso financeiro que eu tive o prazer de conhecer, e observe que eu disse sucesso financeiro, pois nem sempre este vem acompanhado do sucesso profissional ou pessoal.

Assim como as pessoas de sucesso profissional ou pessoal não necessariamente alcançaram o seu sucesso financeiro, portanto é fato que ele não está relacionado aos demais, por isso as atitudes que esses “seres iluminados” tiveram com relação as suas finanças ao longo de suas vidas fizeram deles pessoas com grandes patrimônios.

Na maioria dos casos são de pessoas com mais de 50 anos e que iniciaram sua trajetória financeira de forma bem simples mas sempre com muita disciplina, objetivos bem definidos, certas vezes aprendendo com os tombos que a vida lhes deram, mas que hoje tratam os investimentos financeiros com muita maturidade. E isso me chamou muito a atenção.

Eles vivenciaram uma época em que o principal investimento financeiro era a poupança, e a poupança mesmo no auge de sua rentabilidade jamais deixou qualquer poupador no mínimo rico. Então eles somente conseguiram construir seus patrimônios através da aquisição de ativos que pudessem lhes trazer um melhor retorno, apurado entre o valor que os compraram e o valor da venda.

E é exatamente nesse tema que vamos focar nesse artigo: compra e venda.

O que podemos aprender com o sucesso deles?

Observei que todos tiveram a disciplina de poupar parte da sua renda ao longo de suas vidas, e somente após certa quantia acumulada começaram a diversificar parte desse recurso comprando ativos que pudessem valorizar mais do que o a caderneta de poupança. Já foi possível identificar nesse exemplo que todos 1- Sempre mantiveram uma reserva para imprevistos, a tão falada (e importantíssima) reserva de emergência dos dias atuais.

O próximo ponto foi a tomada de decisão em relação ao que comprar. Observei pelas histórias que nenhum deles comprou nada por impulso, 2-estavam capitalizados e poderiam comprar no momento mais oportuno; e 3-tinham um mínimo de conhecimento dos riscos que corriam, estavam com objetivos definidos e principalmente 4-não tinham prazo para se desfazerem de suas aquisições, afinal de contas em cada novo negócio estavam investindo anos e anos de reservas, aquilo tinha que dar certo!

Em nenhum caso as fortunas foram construídas em menos de 20 anos, e em nenhum deles os investidores se desfizeram de suas aquisições antes de 5 anos, a não ser para dar um salto ainda maior.

Agora trazendo para os dias atuais, em meio a toda essa turbulência de mercado que estamos vivendo, se você possui a sua reserva de emergência, tem uma parcela do seu capital que está arriscando em outros ativos para obter um melhor retorno, conhece os riscos desse mercado (como exemplo um investimento que pode render +10% em um único mês também pode ficar negativo em -10% no outro), não tem prazo definido para utilizar esse recurso, você não tem motivos para ficar sem dormir!

Falando especificamente de bolsa de valores, ela nada mais é do que um comércio onde de forma organizada compramos partes de grandes empresas, e como todo comércio a regra é clara: precisa dar lucro, senão quebra! E o lucro nesse caso, para o investidor, é simplesmente a diferença entre o valor que você comprou e o valor que você venderá. Simples assim!

“Mas a bolsa é extremamente arriscada!”

Quem disse que aquelas pessoas, lá no passado quando compraram um imóvel por exemplo, sempre tiveram ofertas de venda por preços acima do que eles pagaram?

Eles simplesmente esperam a hora certa de vender para depois comprar novos. Sem imediatismo! Pode ser porque não tinham uma tela piscando em sua frente o dia todo mostrando qual o valor do seu imóvel naquele exato momento, caso quisessem vender, oscilando entre “ganhos e perdas”. Reforço aqui que em ambos os casos, imóvel ou bolsa de valores, ganho ou perda só serão concretizados após efetivar a venda. Eles também passaram por algumas crises no passado e quando pergunto o que fizeram no momento 5-todos disseram que sempre surgia uma boa oportunidade e aproveitavam... muita coincidência não? risos

Costumo utilizar um exemplo muito prático nas minhas conversas com investidores. Pergunto a eles: Quanto vale o seu carro? Exemplo 70mil reais...

Eu o compro agora, pago 28mil! A resposta: Você está louco!

Eu insisto: Mas eu te pago a vista! Transfiro o dinheiro nesse momento para sua conta.

Dai escuto o que eu quero ouvir: Mas eu não preciso vender ele agora, muito menos por esse preço.

Então, se com o seu carro você não comete essa loucura, por que cometeria com seus investimentos? Só porque o mercado está oferecendo pouco pelos seus ativos naquele momento? Por que você se desespera a ponto de cometer esse suicídio financeiro?

Estamos direcionando esse artigo para investimentos em bolsa, mas como disse antes, essa regra vale para qualquer negociação. Basta você comprar caro e vender barato por algumas vezes consecutivas que você irá quebrar! Isso é fato. Independente do que esteja comprando e vendendo.

Por último quero usar um exemplo de finanças comportamentais que deixa bem claro que, quando ampliamos o horizonte de nossas decisões elas são muito mais assertivas.

Se oferecermos a um grupo de pessoas, meia caixa de bombom hoje ou uma caixa de bombom daqui uma semana, a maioria dirá que prefere meia caixa de bombom hoje! (atitude imediatista)

Reformulamos a pergunta para o mesmo grupo ampliando o prazo: Vocês preferem meia caixa de bombom daqui um ano ou uma caixa de bombom daqui um ano e uma semana?

Observe que o intervalo de entrega entre as caixas permanece o mesmo, uma semana, mas como o horizonte de decisão passou a ser daqui um ano, a maioria disse preferir a caixa inteira.

Vamos trazer esse comportamento para um exemplo prático do que aconteceu hoje 12 de março de 2020. O preço de fechamento das ações preferenciais das Petrobras S/A nesse pregão foi de R$12,60 (PETR4).

Exatamente um mês atrás, no dia 13 de fevereiro, a mesma ação teve seu preço de fechamento em R$29,72.

Eu te pergunto primeiro: conhece a Petrobras? Dispensa comentários.

Se você comprasse hoje ações dessa empresa, no valor de R$12,60 e essas ações voltassem a subir até R$25,20, teríamos uma valorização de +100%.

Mas quando isso vai acontecer? Quanto tempo vai durar essa crise? Ninguém sabe!

Pode ser que dure um mês? Quase impossível.

Dure uns 06 meses? Pouco provável.

1 ano? Acredito que até lá já tenhamos vencido a guerra contra o COVID-19 mas talvez o mercado não tenha se recuperado.

2 anos? Talvez sim. O histórico de outras crises já nos leva a acreditar nessa possibilidade.

3 anos? Nesse caso as chances do valor da ação voltar para “pelo menos” R$25,20 (bem abaixo do preço justo) já são muito grandes. E observem, quando esticamos o prazo, as chances de termos sucesso aumenta consideravelmente, e lembrem-se, estamos falando de 100% de valorização!

Hoje, qual investimento no Brasil poderá te oferecer um retorno de 100% em 03 anos?

Ok, mas algo pode dar errado e a ação não se valorizar nesse período. Então te pergunto: Qual a chance da ação da Petrobrás estar valendo em fevereiro de 2023, menos do que o valor atual de R$12,60? Também mínima certo? Mas se mesmo assim isso acontecer até lá, não tem problema, é só não vender! Afinal, não conheci ninguém até hoje que fez fortuna em apenas 03 anos!

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