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Como os fundos multimercado se encaixam na sua carteira


Com a queda da taxa básica de juros, ocorre na cabeça de vários investidores a vontade de otimizar melhor sua carteira. Afinal, é fácil encontrar anúncios sobre o como virou arriscado ser conservador. A afirmação é totalmente verdadeira, uma vez que os investimentos mais conservadores, como fundos de renda fixa, podem ter inclusive juros negativo. 

Pode parecer estranho, uma vez que em geral, o primeiro objetivo do investidor conservador é se proteger de riscos ao seu patrimônio. 

O fenômeno de juros negativos nos fundos de renda fixa ocorrem por conta das taxas de administração que por vezes são abusivas, principalmente se tratando dos veículos presentes dentro dos grandes bancos. 

Com uma Selic a 5%, fica difícil um fundo de renda fixa render mais do que 6% ao ano. Se descontarmos a taxa de administração que pode chegar a 4% ao ano, o investidor ficaria com 2%. Depois de subtraída a inflação e pago o imposto de renda, o investidor terá um poder de compra menor do que no momento em que investiu. 

Foco em plataformas abertas

O cenário exige uma inteligência financeira maior dos investidores, para que consigam balancear melhor sua carteira e se expor aos riscos certos. O primeiro passo é sair dos grandes bancos e passar a investir em plataformas abertas de investimentos. 

Os fundos disponíveis nas plataformas tendem a cobrar taxas mais condizentes com o justo. O segundo passo é entender de que forma uma carteira é bem montada.

O objetivo hoje é explorar os fundos multimercado e de que forma eles se encaixam na sua carteira. 

A carteira dos multimercado

Essa categoria de fundos tem a liberdade para investir em praticamente todas as classes de ativos financeiros: ações, juros, crédito, câmbio etc. Isso garante aos multimercados uma multidisciplinaridade interessante.

Como o ambiente de investimentos é muito grande, buscamos classes para categorizar os multimercados. O mais comum é encontrar a divisão por volatilidade. Existem, portanto, os multimercado de baixa, média e alta volatilidade. 

A carteira do investidor

O investidor, que agora sabe que precisa se expor um pouco mais aos riscos, decide que vai migrar uma parte de seus investimentos, que antes se concentravam na renda fixa, para os fundos multimercados. 

A atitude é muito bacana. No entanto, a escolha de produto é ainda mais importante. É comum neste caso que o investidor opte por um fundo multimercado de baixa volatilidade. Como ele sempre foi investidor de renda fixa, é provável que tenha aversão a chacoalhadas do preço, mesmo que isso possa significar nada no longo prazo. 

O racional é o seguinte: Vou colocar uma parte nos de baixa volatilidade, assim, consigo me expor um pouco mais a risco e tento ganhar um pouco mais. 

A verdade é que essa estratégia dificilmente fará muita diferença no resultado final da carteira. Como os multimercado de baixa volatilidade têm o mandato apenas para aquela categoria, eles fazem de tudo para que tenham oscilações pequenas em suas cotas. 

A maneira de fazer isso é se entupir de títulos de renda fixa de baixíssima volatilidade, sobrando pouco espaço para que o gestor possa correr risco de fato. Ora, não existe almoço grátis, se o gestor não correr riscos, ele também não entrega retorno. É por conta disso que os fundos multimercados de baixa volatilidade apresentam um retorno parecido aos fundos de renda fixa. 

Mas na verdade, o cenário começa a ficar crítico agora: algo que vem caindo em desuso nos fundos de renda fixa, são as taxas de performance. No entanto, ela ainda é praticamente unanimidade nos multimercados, independentemente da volatilidade. 

Desta forma, existem dois cenários para o investidor: caso seu fundo performe bem, ele receberá não muito mais do que na renda fixa, uma vez que o rendimento não será muito superior e a taxa de performance ainda vai comer uma parte da rentabilidade. 

O segundo cenário é o caso de o fundo performar mal. Neste caso, o investidor perde mais do que perderia nos fundos de renda fixa, uma vez que a volatilidade do multimercado é maior e ele se expõe mais a riscos. Infelizmente para o investidor, o gestor não paga a ele uma taxa em um ano de performance ruim. 

Como é possível perceber, o sistema de incentivos não está favorável do lado do investidor. 

Qual a alternativa?

Usando o mesmo exemplo, imagine que você investidor conservador decidiu que irá destinar 20% dos seus recursos para os fundos multimercados. Mas relembrando, o investidor conservador tem aversão às chacoalhadas na cota. 

A solução seria, portanto, destinar apenas 10% dos recursos aos multimercados. No entanto, este recurso iria para os multimercados média/alta volatilidade. O objetivo seria dar espaço para o gestor para que ele consiga montar posições de riscos, como apostas na bolsa de valores. 

O investidor ainda assim estaria protegendo seu capital, visto que 90% ainda continua na renda fixa. Os outros 10% podem ir para o risco. Não faz sentido colocar 20% em um fundo de baixa volatilidade, para que ele compre títulos de renda fixa majoritariamente e ainda cobre uma taxa de você para isso. 

O ideal é investir em um fundo de alta volatilidade, onde o gestor pode, além de ganhar dinheiro para ele, através das taxas de administração e performance, ganhar dinheiro também para você cotista. 

Extra: investir é uma maratona, não uma corrida de 100m

Fiz questão de colocar esta sessão aqui hoje. Frisei em alguns pontos deste artigo o quanto os investidores, por vezes, são averso à volatilidade. 

Primeiramente, cabe a definição de que volatilidade não é risco. Volatilidade apenas ilustra a interação entre compradores e vendedores. Risco aqui encaramos como risco de perda de capital. As torres gêmeas não tinham volatilidade alguma, mas será que podemos dizer que não existia risco algum de um atentado terrorista para derrubá-las? 

Agora partindo para o que realmente interessa, é muito importante que o investidor tenha a cabeça no longo prazo. Em geral, as chacoalhadas dos preços das ações ou das cotas dos fundos de investimentos, são apenas pequenos solavancos de uma grande tendência de alta. 

Não dá para imaginar que a subida será constante. Inclusive os maiores bull markets contam com quedas significativas no curto prazo, mas que se olhadas de longe, significam pouco em todo o processo de subida. 

Imagine o seguinte: até hoje, sua vida foi apenas formada de bons momentos? Acredito que seja mais provável que houveram alguns momentos de baixa, mas que você tenha evoluído tanto desde o dia em que nasceu, que olhando para trás, esses momentos de baixa são apenas pequenos vales. 

Nos investimentos é a mesma coisa: os mensageiros do apocalipse te venderão que o mundo está às portas de um crise nunca antes vista neste mundo. Em geral esse tipo de mensagem serve apenas para vender jornal e não passa de uma pequena turbulência.

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