Renda Fixa

A curva de juros no Brasil e seus investimentos em renda fixa


Entenda como são apresentadas oportunidades a partir da curva de juros.

Hoje vamos falar sobre um assunto que causa muita confusão na cabeça dos investidores. Porém, seu entendimento é de suma importância: a famigerada curva de juros.

Afinal, do que se trata? A curva de juros (ou Yield Curve) é uma relação matemática de tempo/ retorno. Ela representa, graficamente, o retorno de um título, ou títulos, de qualidade de crédito semelhantes ao longo do tempo.

Em finanças, o tempo é associado ao risco, o que, se pararmos para pensar, faz muito sentido! Afinal, um investimento em um título nada mais é que um empréstimo.

O que você acha que tem mais risco? Emprestar seu dinheiro para o seu tio durante um mês, ou 5 anos? Exatamente, a possibilidade de eventos que podem prejudicar a capacidade de pagamento do devedor, em um período mais longo de tempo, é muito maior. Logo, naturalmente, o prêmio exigido é maior.

Banco Central e sua relação com a curva

O Banco Central atua na curva de juros por meio da política monetária. Em cenários de inflação baixa e desaceleração econômica, o BACEN tende a reduzir a taxa básica de juros da economia, como uma forma de estímulo (taxa baixa, preço do dinheiro cai, pessoas e empresas tomam mais crédito, consomem, e a economia volta a crescer).

Da mesma forma, em cenários de pressão inflacionária, o Bacen aumenta a taxa de juros. Na ponta longa da curva, as taxas refletem a expectativa de longo prazo, baseadas nas ações de hoje, por isso, a credibilidade do Banco Central é tão importante.

Afinal, se as taxas de juros estão baixas no curto prazo, a tendência é que elas cresçam ao longo do tempo, até que a pressão inflacionária se forme, e o Bacen volte a cortá-la (é o que chamamos de curva normal).

O mercado tenta antecipar isto através de um aumento na expectativa de juros no longo prazo. Porém, é importante frisar que a curva de juros não reflete somente as ações da política econômica.

A percepção de risco de um país também entra em jogo, afinal, se um país está no meio de uma crise política, a confiança do investidor cai, e isso se reflete em um prêmio pelo risco maior, o que gera uma abertura (muitas vezes irracional) nas taxas.

Curva Pré x DI

Quando ouvimos falar de curva de juros, normalmente faz-se referência à curva Pré x DI. Essa curva é a representação gráfica da expectativa de juros. A sua formação se dá por meio de contratos futuros do DI. Porém, é importante mencionar que a precificação desses contratos futuros leva em consideração fatores como instabilidade política, inflação e risco pelo tempo. 

Portanto, a precificação no longo prazo está muito mais associada à percepção de risco do país do que à expectativa de fato de que a taxa de juros vai representar aquele valor, naquela data. Essa associação, representa bem aquilo que foi discutido anteriormente, quando falamos em aberturas irracionais da curva.

Abertura da curva em diferentes momentos no tempo.



E o que a Renda Fixa tem com isso?

Essas aberturas irracionais representam uma boa oportunidade de alocação em renda fixa, uma vez que a precificação e remuneração desses títulos é baseada na curva de juros. Em um cenário de abertura podemos encontrar taxas extremamente atrativas, em ativos de qualidade de crédito excelente, o que, em retorno, diminui a atratividade em investimentos de renda variável.

Afinal, por que correr risco, se posso ter uma boa rentabilidade na renda fixa, com um risco muito menor? Além disso, essas aberturas geram uma boa oportunidade de ganho para aqueles que não desejam carregar o papel até o vencimento.

A lógica por trás disso é simples: os títulos são marcados a mercado (baseado nas taxas em que aquele título está sendo negociado).

Se possuo um papel com uma taxa IPCA+5%, e o mesmo papel está sendo negociado no mercado a uma taxa de IPCA+4%, naturalmente meu título se torna mais interessante para os outros investidores, o que causa uma apreciação e a possibilidade de negociação com um ganho - é o que chamamos de ágio.

Em linhas gerais, títulos pré-fixados são interessantes se a expectativa é de queda de juros, e pós-fixados, se a expectativa é de alta. Lembrando, a marcação a mercado não é relevante caso você decida carregar seu título até o vencimento.

Conclusão

Como vimos, a renda é fixa mas não tão fixa assim. É possível obter ganhos expressivos caso o investidor se posicione de maneira correta, tanto antes do vencimento, quanto na própria data de vencimento. Porém, é importante frisar, fique sempre atento às suas necessidades como investidor.

Não assuma riscos que não está disposto a correr, e preste sempre atenção ao vencimento do título e à sua necessidade de liquidez, para que não seja surpreendido de forma negativa pelo mercado.

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