Renda Fixa

Neoeconomia Brasileira


Desde a proclamação da república, o Brasil inicia uma nova era econômica.

Para entender o motivo pelo qual estamos iniciando uma nova era econômica no país, precisamos exclamar a interessante e conturbada história econômica brasileira, observando a cultura e fatos que se estabeleceram ao longo da mesma.

O começo foi no século XV, quando desbravadores dos mares, equipados com canhões, bússolas, astrolábios e caravelas navegavam pelo mar atlântico em buscar do novo, do desconhecido.

Quando encontraram as Américas e o Portugueses dominaram a antiga Terra de Vera Cruz, que hoje, é o nosso Brasil.

Podemos dizer que o Brasil viveu ciclos econômicos, tendo como primeiro o “Ciclo Econômico do Pau-Brasil”, nessa época, os nativos extraiam essa matéria prima, que eram obtidas pelos europeus através do escambo.

Após o esgotamento da oferta do material que deu início a atividade econômica no brasil os portugueses trouxeram uma plantinha bem conhecida chamada cana-de-açúcar que prosperou nas ricas terras brasileiras, os colonizadores instalaram engenhos para produção de açúcar, usando mão de obra escrava, sustentado pelo tráfico negreiro.

Com toda exploração acontecendo foi inevitável encontrarem matais preciosos, o que gerou um novo ciclo econômico do ouro com seu ápice no século XVIII, esse movimento decrescente em 1989 com a Inconfidência Mineira, que perdurou até 1785.

Enfim chegamos em um dos mais importantes ciclos econômicos do ciclo do café, que foi o grande responsável pelo impulso da economia brasileira, havendo intenso desenvolvimento no país, com expansões de estradas, a industrialização, e atração de imigrantes europeus.

Este movimento favoreceu a modernização de modais de transporte, e com a abolição da escravidão aumentou o número de imigrantes europeus, ocasionando uma superprodução, oferta era maior que a demanda.

De tal modo é marcado o fim do ciclo cafeeiro em consequência do Crash de 1929. Tudo isso trouxe necessidade de diversificação da base econômica, gerando a era da industrialização, o governo de Getúlio Vargas passa a incentivar a instalação da indústria pesada no Brasil como a siderúrgica e petroquímica, ponta pé inicial para as principais empresas listadas em nossa bolsa de valores, Petrobras e Vale.

No governo de Juscelino Kubistchek, em 1902, ouve o plano de metas que tinha como objetivo país crescer em 5 anos o que não cresceu em 50, focalizando no desenvolvimento de setores específicos como energia, transporte e alimentação.

Durante a ditadura militar, os governos abrem o país para investimentos estrangeiros que impulsionam o desenvolvimento estrutural brasileiro e entre 1969 e 1973, nosso pís vive o famoso ˜Milagre Econômico”, frisado com um crescimento do PIB de 12%.

Porém havia o problema era que com grandes financiaram por empréstimos a juros flutuantes ocasionou uma inflação de 18% ao ano e o crescente endividamento do país.

Nos anos 80, denominada como década perdida, o brasil se afundava em suas contas públicas e via a inflação aumentando de maneira descontrolada.

No final do governo militar, a economia brasileira estava totalmente desgastada devido a altos juros de suas dívidas externas, vimos o PIB despencando de 10,2% em 1980 pra 4,3% negativos em 1981, a solução foi a criação de planos econômicos para estabilizar a moeda e controlar a inflação.

Só entre 1984 e 1994 o país teve 6 moedas diferentes, a primeira foi o plano cruzado onde o governo tentou o controle da inflação através do congelamento de preços, seguido pelos planos Bresser e o Verão, ambos sem sucesso.

Com a eleição de Fernando Collor de Mello, o Brasil começa a adotar ideias neoliberais, priorizando abrir a economia nacional, privatizando empresas públicas, reduzindo funcionalismo público e aumentando participações privada em vários setores econômicos, porém, graças a escândalos de corrupção o presidente sofreu impeachment, custando seu cargo presidencial.

O Brasil com contou com 13 planos de estabilização econômica, tendo como o último, o Plano Real que viabilizou o equilíbrio das contas públicas e o estabelecimento de um novo padrão monetário, atrelando o valor do real ao dólar. Tal estabilização se manteria pelo século XXI. Em dois anos a miséria do Brasil caiu 18%.

Os próximos governos tiveram o início marcado pelo alto crescimento econômico brasileiro, que foi abalado pela recessão econômica de 2014 juntamente com a crise política no governo de Dilma Rousseff, levando o Brasil ao centro das atenções mundiais quando o assunto era corrupção.

Com um breve resumo de nossa história econômica podemos concluir que nosso país nunca conseguiu se consolidar como um país confiável e atrativo para investidores no privado, devido as altas taxas de juros praticadas, questões fiscais e falta de confiabilidade derivada da desestabilidade política e econômica.

Com a nova política econômica que o Banco Central vem adotando, aprovação do teto de gastos e reforma da providência, uma dessas pontas fundamentais para o investimento privado nacional está mudando, mas ainda temos um caminho pela frente com outras reformas necessárias que precisam ser adotadas, como a reforma administrativa e a tributária.

No gráfico abaixo, temos o IPCA e a Selic nos últimos 10 anos, historicamente ficando em patamares altíssimos, acima da inflação. Em 2016 por exemplo, tínhamos Selic a cerca de 14% ao ano e inflação a 10,67% no ano, ganhar quase 4% no ano no Tesouro Selic, sendo o investimento mais seguro do Brasil é mole, não é?

Mas, estamos entrando em uma nova era, em que isso não é possível, a “Neoeconomia Brasileira” como decidi apelida-la, ou era dos juros baixos, que inicialmente gerou fuga de capital de investidores estrangeiros que antes pegavam empréstimos a juros baixíssimos, em alguns países até negativos para colocarem na renda fixa brasileira, isso ocasionou em uma forte desvalorização do real, somado com outros temas.

Hoje, temos a Selic a 2,25% ao ano e um IPCA projetado pelo Banco Central para de 2020 de 1,63%, secundo o Relatório Focus divulgado no dia 26 de junho de 2020, tendo a menor taxa básica de juros da história do Brasil e a poupança rendendo 1,575%, que, descontado o IPCA, fica  - 0,055% ao ano!

É isso mesmo, poupança e alguns títulos de renda fixa fazendo o investidor perder dinheiro ao longo do tempo, isso considerando o IPCA baixo, devidos efeitos econômicos causados pelo corona-vírus, que com o tempo tende a voltar e a diferença ficar ainda maior.

Com constante redução da taxa de juros no Brasil, investidores terão que se reeducar quando o assunto é investimentos e começarem a tomar mais riscos em busca de um melhor rendimento de seu capital, por tal motivo estamos em crescendo migração de pessoas físicas para a bolsa de valores brasileira.

De acordo com dados divulgadores pela B3, em 2018 tínhamos 813.291 investidores pessoa física, em 2019 esse número já subiu para 1.681.033 e em 2020 já chegamos a 2.483.286 CPF’s, uma alta expressiva de 205,34% em 3 anos.

Isso devido os investidores estarem saindo da renda fixa e indo para o mercado de ações, onde apenas o Dividend Yield (dividendos mais os juros sobre capital próprio distribuídos aos investidores sobre o valor da ação) de determinadas empresas já rentabilizam mais do que o próprio CDI, quem dirá quando a referência é a poupança...

Para demonstrar, utilizaremos as 5 empresas maior representadas no índice Ibovespa, são elas: VALE3 (Vale) com 10,412% de representatividade no índice, ITUB4 (Itaú Unibanco) com 7,631%, B3SA (B3) com 5,982%, PETR4 (Petrobras) com 5,564% e BBDC4 (Bradesco) com 5,463%.

Que juntas, somam 35,052% do índice de referência da bolsa de valores brasileira. Pegamos o Dividend Yield dessas 5 empresas e fizemos a média desta rentabilidade, para enfim, compararmos com a rentabilidade do CDI em cada ano, e obtemos o seguinte resultado:

A partir de 2019 os juros sobre capital mais os dividendos das 5 maiores empresas da bolsa já ultrapassa o rendimento do CDI, respectivamente, da poupança e de alguns títulos de renda fixa, mesmo considerando apenas as maiores empresas do índice Ibovespa, pois se puxarmos uma carteira de empresas boas pagadoras de dividendos e JCP essa rentabilidade é ainda mais.

Além do Dividend Yield, temos que considerar também o crescimento das empresas que tem bons fundamentos e consequentemente ocasiona no aumento de seu valor, refletindo no preço de seus papéis negociados no mercado, gerando valorização do patrimônio do investidor no longo prazo.

Contudo, concluímos que temos uma nova era econômica em que pessoas buscam investir na iniciativa privada e tomando mais riscos em busca de melhores remunerações e rentabilidade, já que a renda fixa não traz tanta atratividade como antes.

Disclaimer: Este artigo não é uma recomendação de investimento, e sim apenas uma reflexão sobre o atual cenário do mercado e conclusões pessoais, pequenas diferenças numéricas nos gráficos apresentados são provenientes de cálculos de tabelas e arredondamentos.

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