Renda Fixa

O fim do 1% ao mês


Tempos ainda não longínquos parecem ter chegado às nossas taxas de juros. O Brasil passa por um momento transformacional em sua sua economia, onde as coisas parecem caminhar, ainda que lentamente, para tempos de crescimento.

O Brasil sempre foi o país do CDI, que tinha uma taxa de juros extremamente alta e inflação descontrolada. A eleição de uma equipe do governo mais voltada para o liberalismo e disposta a fazer com que a economia ande de forma ortodoxa fez com que as coisas caminhassem na direção correta.

O governo dá sinais

Desde que a então presidente Dilma sofreu impeachment, vimos uma caminhada para a aprovação de reformas. Vimos reforma trabalhista e teto dos gastos e a Reforma da Previdência caminha para uma aprovação.

Assim que a previdência estiver totalmente endereçada, mudaremos o foco para a reforma tributária, essa sim, real geradora de valor para os empresários brasileiros e inclusive estrangeiros. Isto porque a simplificação dos tributos faz com que o capital do exterior possa vir para o Brasil na forma de mais empresas.

A abertura dos mercados brasileiros beneficia a todos, visto que gera mais empregos, aumenta o PIB e faz com que os preços caiam. Resumindo, a globalização aumenta o bem estar social.

O mais importante de tudo isso são os sinais que se passa para o povo. O empresário tem mais aptidão a voltar a investir, o consumidor tem mais confiança para tomar crédito e os bancos têm mais possibilidades de baixarem o spread bancário.

Some tudo isso a uma onda de privatizações que o ministro Paulo Guedes diz ter em sua lista e o estado fica com uma folha muito mais limpa, podendo investir em setores não triviais como saúde, educação e segurança pública.

A implicação na economia

Roberto Campos Neto integra o time de estrelas que comanda a economia brasileira. O atual presidente do Banco Central foi o responsável por trazer a Taxa Selic para os atuais 5,5% ao ano e já sinalizou que cortes adicionais acontecerão até o final de 2019.

O mercado acredita em Selic a 5% como presente de natal e os mais otimistas dizem ver espaço para queda abaixo disso.

A grandiosidade que isso tem pode nos fugir aos olhos se não observarmos atentamente. Com uma inflação dentro da meta, isso quer dizer juros real ao redor de 2%. Se considerarmos que no passado recente tivemos Selic a 14,25% e juros real acima de 7% ao ano, talvez tenhamos noção da dimensão que isso tudo tem.

A grande questão é que essa situação parece ter vindo para ficar. Note que o desemprego está em níveis extremamente elevados e os juros ao redor do mundo se encontram em níveis baixíssimos, por vezes abaixo de zero.

Desta forma, abaixamos o temor por inflação. De forma análoga, a capacidade produtiva está totalmente subutilizada e o consumo baixíssimo.

Os gastos do governo estarão mais controlados, com a desestatização de empresas não eficientes e controle dos gastos previdenciários. Novamente, perigo de inflação permanece afastado.

Não existe espaço para as taxas de juros subirem. A economia está parada e mesmo quando ela voltar a andar, a crise que passamos foi tão grande, que a pressão inflacionária demorará a aparecer.

Os seus investimentos

Taxas de juros de longo prazo estruturalmente mais baixas, implicam no fim do 1% ao mês sem risco e com alta liquidez. Sim, está no passado. Não deve voltar.

Bem-vindo ao mundo real. Agora chegou a hora de jogar champions league. Aberrações macroeconômicas devem ficar no passado e agora o parquinho dá lugar ao trabalho duro.

Nada de se lamentar. A infância foi legal, mas não que a vida adulta faça mal a alguém.

Isso significa que a partir de agora, se você quiser ter rendimentos maiores, com chance de multiplicação de capital, terá de abrir mão de um dos dois: baixa volatilidade ou liquidez. Se as oscilações são demais para os seus olhos, você pode optar por abandonar a liquidez e optar pela baixa volatilidade dos fundos de private equity.

Se você faz questão da liquidez, terá de conviver com o vai-vem diário das ações, a fim de angariar retornos maiores.

Sobre o que nos é possível enxergar do futuro - se é que existe essa possibilidade - é que o CDI passará a ser a nova poupança, que lhe proporciona nada mais que rendimentos marginais. Não que tenhamos que jogá-lo fora, devemos apenas redimensionar nossa exposição ao mesmo.

Chegou a hora de jogar o campeonato

Considere que o 1% ao mês “de graça” foi o treino. Agora é a hora do campeonato. Para nossa alegria, o mundo dos investimentos é vasto o bastante para que tenhamos opções para alocar nosso capital e observá-lo crescer a taxas que nos deixam satisfeitos.

Nada de pirâmides, alavancagem ou concentração. O que queremos que você faça é diversificar em diferentes classes de ativos, que te exponham a diferentes cenários. Não adianta focar só no crédito privado ou só nas ações, deve-se diversificar.

Como já diria Ray Dalio, gestor do maior hedge fund do mundo, você deve ter um All Weather Portfolio, ou seja, uma carteira que está preparada para qualquer coisa, independentemente do que o futuro nos reserve.

Saiba que o 1% ao mês ainda é possível, mas para isso você precisará transferir gradualmente o seu pêndulo para o lado da renda variável, onde a volatilidade pode lhe assustar no primeiro momento, mas não morde.

Com o tempo aprendemos a conviver com o sobe e desce das ações e aprenderemos os benefícios que elas podem nos trazer.

De que forma então nos preparar para o novo futuro?

Carteira diversificada, com renda fixa pré e pós fixada, fundos imobiliários e ações. Um pouco de proteção também é bem-vinda através de ouro, dólar e opções. Se vai realizar tudo isso por conta própria ou através de fundos de investimentos, o critério é todo seu.

Você também pode buscar o auxílio de uma assessoria de investimentos, onde um profissional o irá ajudar a montar uma carteira completa e bem diversificada.

 

 

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