Renda Fixa

O que são CRAs


Os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) são títulos de renda fixa emitidos por empresas cuja atividade principal seja ligada ao agronegócio. 

O capital obtido na emissão é utilizado para financiar atividade agrícolas, como compra de máquinas e componentes, financiar o início da safra, o capital de giro da empresa ou pagar dívidas para um melhor perfilamento de crédito.

Como funcionam

Imagine que uma usina de cana-de-açúcar precise de capital para expandir seu parque fabril, buscando uma maior capacidade de produção de açúcar e álcool.

A empresa já realizou diversos estudos e sabe que este é o momento ideal para a expansão. No entanto, sabe que o projeto demanda muito capital, o qual ela não tem no momento. 

É nesta situação que surge o mercado de capitais, para que a empresa consiga captar esse dinheiro. Ela então apresenta este seu plano a investidores, a fim de convencê-los de que este é um bom projeto.

Após convencer os investidores, a empresa emite um título de dívida. Este dá aos compradores o direito de receber o dinheiro emprestado, mais uma quantia de juros, que pode ser pré-definida ou que pode seguir um indexador, como o CDI ou o IPCA. 

Com a venda dos títulos, a empresa recebe a quantidade de capital que precisa para realizar a expansão imediatamente. Ela então executa seu plano e colhe os frutos do investimentos conforme os anos vão passando. 

Em troca, o investidor recebe o dinheiro de volta. O pagamento pode ser feito em parcelas ou de forma única. Essa característica é definida no momento da emissão, sendo que se o investidor receber seu dinheiro em parcela, dizemos que este título tem cupom, geralmente semestral ou anual. No vencimento do título, o investidor recebe a última parcela de juros, mais todo o dinheiro investido no momento em que ele comprou o título.

Mercado secundário

O Brasil vive um momento de taxa básica de juros bem baixa, mas ainda tem perspectiva de cortes adicionais à Taxa Selic. 

Imagine que um investidor compra um título de CRA hoje, com a Selic em 5%. Se a Selic cair ainda mais nos meses vindouros, este título poderá ser vendido com ágio no mercado secundário.

Isso acontece pois todas as emissões de títulos de crédito, tem como base a taxa Selic. Se no momento da emissão a Selic era de 5%, o título deverá pagar 5% mais uma quantia que irá variar de acordo com o perfil de risco da empresa emissora, que iremos chamar de X%. Portanto, a remuneração do título será de 5% + X%. 

Em um cenário em que a taxa básica caia para 4%, imaginamos que o perfil de risco da empresa não irá mudar, então o título pagará 4% + X%. Desta forma, em uma hipotética nova emissão, a empresa pagaria menos para ter o dinheiro do investidor, o que faz com que o título que ela emitiu no passado valha mais.

Portanto, o investidor que comprou a primeira emissão da empresa terá um título que vale mais do que os títulos de novas emissões, abrindo assim uma oportunidade para venda do título no mercado secundário. 

Vale dizer que para o investidor que pretende levar o título até o vencimento, recebendo os juros do mesmo, as mudanças na taxa básica de juros e a dinâmica no mercado secundário pouco importam, pois ele irá receber o que foi acordado no momento da compra. 

Vantagens

A grande vantagem dos CRAs é que eles são isentos de IR e IOF para a pessoa física. Em um momento de taxas de juros comprimidas, a não dedução dos impostos significa ainda mais para o rendimento da carteira do investidor. 

Olhando pela ótica da criação de uma carteira otimizada para os mais variados cenários econômicos, os CRAs se mostram uma boa oportunidade de diversificação, sendo uma ótima opção para a exposição ao setor agrícola. 

Um outro ponto que não pode ser ignorado, é que como já falado, o país se encontra em um cenário de taxa Selic nas mínimas históricas. Isso comprime os rendimentos de todos os títulos de renda fixa no geral, o que faz com que o investidor tenha que garimpar muito mais para que consiga achar taxas que valham a pena em relação ao custo de oportunidade do mercado de renda variável. 

Os títulos de crédito privado oferecem as melhores taxas na categoria de renda fixa. Uma forma interessante de minimizar os riscos deste tipo de operação é olhar as garantias que a empresa emissora está dando para que consiga a captação. As garantias poderão ser executadas pela justiça no caso de não pagamento por parte da empresa, o que faz com que a propensão a pagar a dívida por parte da empresa seja maior. 

Conclusão

Os CRAs se mostram uma ótima opção para composição de carteira no segmento de renda fixa para o atual cenário econômico. Isso não quer dizer, no entanto, que todas as emissões são de qualidade. É sempre interessante contar com o auxílio de um profissional para entender se aquela operação faz sentido para o seu portfólio e se o risco da operação condiz com as taxas que estão sendo pagas. 

Assista ao nosso vídeo educativo e conheça mais sobre CRAs!

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