Renda Variável

Volatilidade e seus Investimentos


Volatilidade do coronavírus ainda não atinge mercado de câmbio” (Exame, 05 de Fevereiro de 2020)
“Dólar recupera-se de mínimas de 2 semanas; volatilidade do euro sobe” (Money Times, 26 de Fevereiro de 2020)
“Estrangeiro já retirou R$ 23,4 bilhões da Bolsa, e volatilidade assusta pessoa física” (Estadão, 11 de fevereiro de 2020)

Acima estão algumas manchetes de notícias que tomaram as frentes dos meios de comunicação do país. Todos trazem o termo de volatilidade em seus títulos, cada um com uma abordagem diferente. Mas afinal, seja você um investidor iniciante ou mais experiente, quem nunca ouviu o termo volatilidade dentro do contexto financeiro?

O uso da palavra “volatilidade” apresenta uma amplitude e um significado muito grande. Portanto, este texto ajudará você, leitor e investidor a entender mais sobre o conceito dentro do mercado financeiro. Além disso, é de extrema importância entender como que a volatilidade impacta as carteiras de investimento. 

O que é, então, volatilidade?

A volatilidade é um dos indicadores mais importantes dentro do ambiente de investimentos. As aplicações financeiras são influenciadas por variáveis intrínsecas (características dos próprios ativos) e variáveis extrínsecas (características do ambiente externo/mercado). Portanto, a volatilidade é um dos indicadores que ajudam a mensurar impactos que essas variáveis provocam nos valores dos ativos.

O que esse indicador mede?

A volatilidade é um indicador que mede a frequência e intensidade da variação do valor (preço) de um ativo. A forma mais comum de determinar esse número é através do cálculo do desvio padrão histórico do valor do ativo. Esta fórmula consiste em calcular a diferença dos valores observados com o valor médio do período, dividido pela quantidade de observações. Por curiosidade, a fórmula está indicada abaixo:

Além disso, é comum também encontrar a volatilidade de um ativo relacionado com um ativo do mercado, por exemplo o IBOVESPA ou o próprio CDI. Nesta forma, a variação do valor de um ativo é comparada com a oscilação desta referência do mercado. 

Mas, o que isso significa na prática?

Ao se deparar com o conceito de volatilidade nas notícias, na reunião com seu assessor ou estudando sobre o mercado, é necessário ter em mente, de forma simples, a seguinte relação: o quanto e como que o valor deste ativo varia, tanto para cima, tanto para baixo em um determinado período de tempo. Considere o exemplo: um ativo possui um preço médio de R$100 e sua volatilidade naquele momento é de 20%. Portanto, este ativo tem a probabilidade de valer R$80 a R$120, no período dado.

A volatilidade tem em sua essência a noção de variação. Ter em mente que os ativos variam de diferentes formas e reconhecer isso dentro de seu perfil e investimentos é uma maneira inteligente de trazer mais valor para sua carteira. Considerando a essência de variação, a volatilidade é também uma medida de conhecer o risco de uma carteira de investimentos.

Assim como qualquer situação no mercado, ao analisar e controlar a volatilidade dos seus investimentos, é possível encontrar oportunidades e ameaças que impactam seus ativos. Estudando a fundo como que os preços dos ativos variam, a hora de realizar ganhos e limitar prejuízos é algo administrável. Junto com um profissional dedicado ao seu lado, como um assessor de investimentos, é possível potencializar essas oportunidades e minimizar as ameaças que uma variação negativa de preços pode trazer para sua carteira.

E, quais são as causas da volatilidade?

A volatilidade do valor de um ativo existe decorrente de inúmeras variáveis internas e externas dos mesmos. Elas são pautas de discussões de diferentes tipos de analistas, sejam eles técnicos (baseados em gráficos) e fundamentalistas (baseados em demonstrativos financeiros e projeções de mercado). 

O valor de um ativo varia por pressões de oferta (venda) e demanda (compra), por projeções macro e microeconômicas, por notícias diretamente ou indiretamente relacionadas ao ativo, por análises passadas do valor do próprio ativo e projeções de como o gráfico do preço do ativo irá se comportar. Tudo se envolve ao redor da expectativa que aquele preço realmente pode ou não alcançar.

O contexto mais comum de vermos a volatilidade em pauta é nos preços das ações listadas na bolsa. Todos nós sabemos que o preço de uma ação de uma empresa sobe e desce todos os dias. Algumas vezes de forma mais amena, outras vezes de forma intensa.

Observe um exemplo real abaixo, do qual comparamos duas ações e suas volatilidade anuais.

Neste caso, as ações preferenciais da Petrobrás apresentaram uma volatilidade de cerca de 25% a mais do que as ações preferenciais do Itaú. Ou seja, o preço das ações da Petrobrás variaram muito mais para cima e para baixo do que os preços das ações do banco. 

Como a volatilidade impacta minha carteira?

O entendimento da variação é de extrema importância pois dará ao investidor uma gestão de risco mais completa. Ao administrar a volatilidade de sua carteira, o investidor consegue ter um controle maior sobre as altas e, principalmente, sobre as baixas dos ativos de seu portfólio de investimentos.

Prestar atenção nesses aspectos pode ajudar na rentabilidade tanto de curto quanto de longo prazo do seu portfólio. É importante ressaltar também que a volatilidade depende das diferentes classes ativos que estão alocados na carteira, do horizonte de tempo de investimento e do perfil do cliente.

A imagem abaixo mostra a volatilidade de duas carteiras, ambas com as mesmas características. Entretanto, uma foi montada com fundos somente de renda fixa, e outra foi montada com somente fundos de ações. Ou seja, a primeira possui menor volatilidade e risco, a segunda apresenta uma maior variação e risco.

Preste atenção na diferença das duas carteiras. O eixo vertical está muito diferente entre as duas. Enquanto a primeira carteira possui uma volatilidade média de 0,20%, a segunda possui uma volatilidade média de 20%. A simulação traz uma aplicação de R$ 100.000,00. Na primeira carteira, no período simulado, o ganho foi de R$ 25.000,00, já na segunda carteira, o ganho foi de R$ 55.000,00. 

Enquanto o investidor da carteira 1 não viu seu patrimônio subir e descer tanto, somente uma pequena subida e às vezes uma descida, o investidor da carteira 2 ficou muito mais exposto à variação, sendo sujeito à uma montanha russa de preços. No entanto, os dois tiveram investimentos rentáveis. Vai de cada perfil estar sujeito e aguentar diferentes níveis de variação.

O que devo fazer?

Busque informações e entenda: sempre tente aprender ao máximo sobre os produtos que está investindo, como eles se relacionam e o que está por trás das suas decisões. Existem muitas informações completas e simples em diferentes portais para capacitar ainda mais o investidor brasileiro. Caso já tenha um assessor, consulte seus conhecimentos, a pessoa que cuida dos seus investimentos está preparada para explicar como que os produtos funcionam.

Diversifique: tenha ativos de alta qualidade e de diferentes classes dentro de seu portfólio. Isso faz com que sua carteira possua uma constância maior e um controle maior sobre os riscos, e não sofra com momentos de instabilidade.

Paciência: tenha paciência para investir seus recursos. Foque no longo prazo e deixe seus investimentos trabalhar a favor do tempo e trabalhar por você. Muitas vezes o mercado irá passar por momentos de instabilidade e é importante o investidor saber entender isso. Reconhecer o momento, parar e analisar sua carteira e tomar a melhor decisão, junto com um profissional, é algo que, no futuro, fará um diferencial.

Tenha um profissional ao lado: investir sozinho é uma tarefa difícil que necessita de muito tempo e dedicação. Ter um profissional ao lado, como um assessor de investimentos, trará um respaldo, um profissionalismo e fará sua carteira de investimentos a sua cara, de acordo com o seu perfil. Além disso, com um assessor, os melhores produtos financeiros serão alocados e distribuídos para seu acesso.

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