Renda Fixa

Uma Breve Introdução ao Crédito Privado


No cenário econômico atual, com a taxa de juros (Selic) extremamente baixa, no nível de 2% ao ano, investimentos de renda fixa convencionais não têm dado o retorno esperado pelos investidores. Sendo assim, muitos estão saindo em busca de novos tipos de investimentos. Com isso, ativos de crédito privado têm ganhado cada vez mais visibilidade.

Mas antes de falar sobre tais ativos, vamos voltar um pouco, afinal, você sabe o que é renda fixa?

Renda fixa nada mais é do que um título de dívida. O que significa que, quando empresas, bancos ou até mesmo o governo precisam de dinheiro, um dos modos de se capitalizar é através da emissão de títulos que remunerem àqueles que bancarem tal título com uma taxa previamente acordada.

Essa taxa pode ser pós-fixada, ou seja, atrelada a um indexador (os mais comuns são CDI ou IPCA) ou ser uma taxa nominal pré-fixada, como por exemplo 10% ao ano.

Os investimentos de renda fixa podem ser classificados de três formas:

Títulos Públicos

São aqueles emitidos pelo governo, com o intuito de financiar ações públicas, como obras, programas assistencialistas, entre outros projetos governamentais.

Eles são considerados os títulos com menor risco no mercado, por ter o governo como devedor. São representados por títulos emitidos pelo Tesouro Nacional, alguns exemplos disso são Tesouro Direto e NTNs.

Títulos Bancários

 São aqueles que, como o próprio nome diz, são emitidos por bancos quando precisam financiar suas operações. LCI para operações voltadas ao mercado de crédito imobiliário, LCA para operações de crédito do agronegócio, e CDB que não tem uma destinação específica.

Os dois primeiros são isentos de imposto de renda (IR) para pessoas físicas e todos os 3 são garantidos pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que garante o valor investido caso a instituição emissora do título venha a falir.

Títulos de Crédito Privado

 São títulos emitidos por empresas de capital aberto. Para financiar suas operações, as empresas emitem esses títulos de dívida, que podem ser CRA para financiamento de operações destinadas ao agronegócio, CRI para operações voltadas ao mercado imobiliário e Debêntures para financiamentos sem fins específicos. Os dois primeiros são isentos de IR para pessoas físicas, e o terceiro pode ter tal isenção, mas falaremos sobre isso mais tarde. Não possuem garantia do FGC.

            Após essa recapitulação sobre renda fixa, vamos ao tópico principal dessa publicação, os títulos de créditos privados.

            Os títulos de créditos privados são investimentos de renda fixa, que podem proporcionar retornos maiores do que os já consolidados CDBs e Títulos Públicos.

A maior rentabilidade desses títulos está diretamente atrelada ao maior risco envolvido na operação, geralmente relacionado ao risco de crédito em que a empresa não paga o valor devido. Como tais produtos não possuem garantia do FGC, esse risco acaba sendo relevante na emissão do título e na sua rentabilidade.

Porém, para trazer mais segurança aos investidores, existem empresas de rating - que na tradução literal significa Avaliação.

Essas empresas classificam as instituições que disponibilizam produtos no mercado para que investidores possam ter uma visão melhor de aonde estão alocando seus investimentos e qual a chance de a empresa não honrar com seus credores.

Alguns exemplos de empresas de rating internacionalmente conhecidas são Fitch e S&P, que classificam os emissores como apresentado na figura 1.

Como podemos ver na Figura 1, as classificações variam de empresa para empresa, mas a ideia geral é a mesma, os ratings que estão no topo (AAA) classificam as empresas que possuem menor risco, logo, maiores probabilidades de honrar com as dívidas adquiridas.

Normalmente, são empresas financeiramente estáveis e com bom histórico perante o mercado.

Conforme o rating diminui, o risco de investir nas empresas aumenta, sendo assim, pode-se observar o retorno atrelado ao risco do ativo e compará-lo à rentabilidade do ativo de menor risco do Brasil (Tesouro Direto) para saber a atratividade de tal investimento.

Os investimentos em Crédito Privado se dão na forma de CRIs, CRAs e Debêntures, os dois primeiros precisam ser emitidos através de companhias securitizadoras, que atuam como intermediadoras nesse processo de lançamento ao mercado, já as debêntures podem ser emitidas pela própria empresa, mas precisam da aprovação de agentes regulatórios para distribuição.

Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI): São um modo de financiar o mercado imobiliário, e funciona da seguinte forma: A construtora (XYZ) precisa levantar capital para seu próximo empreendimento, sendo assim, ela vai até uma companhia securitizadora, e acerta as condições do financiamento, como por exemplo montante total a ser financiado, prazo de pagamento (ex: nov/2030) e taxa de juros (ex: IPCA + 4,0%).

Com essas informações, a companhia securitizadora divide o valor a ser financiado em diversas cotas e as lança ao mercado na forma de CRI (empresa X) com taxa de investimento IPCA + 4,0% e que tem vencimento em novembro/2030.

Os investidores que se interessarem por tal oferta adquirem cotas desse CRI com o intuito de ter o retorno oferecido pela empresa ao final do prazo já líquido de imposto de renda (IR) no caso de pessoas físicas.

Caso os investidores queiram resgatar o montante investido antes do prazo, podem fazê-lo através do mercado secundário, porém, estão suscetíveis a ágio (valorização) ou deságio (desvalorização) de tal investimento.

Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA): Assim como os CRIs, servem para financiar empresas com operações em um setor específico, no caso, o agronegócio, como frigoríficos e produtores agrícolas. O investimento em CRA possui as mesmas características e especificidades dos CRIs alterando somente o setor de destinação dos recursos.

Debêntures: são uma forma para que sociedades de ações e não pertencentes ao setor financeiro possam fazer captação de recursos fugindo das altas taxas de juros cobradas por bancos. Elas podem ser comuns ou incentivadas, mas falarei disso mais a frente. Diferentemente dos investimentos acima explicitados, a empresa não necessita de uma companhia securitizadora para fazer a emissão de tais títulos, pode fazer por conta própria, mas para isso, precisa cumprir alguns pré requisitos:

  • Convocar uma assembleia geral dos cotistas para autorizar a emissão;
  • Elaborar uma escritura de emissão, sendo definidos nesse o montante total a ser captado, a destinação dos recursos, o prazo de pagamento (nov/2030), taxa juros (IPCA + 4,0%), agente fiduciário (que representa os investidores(debenturistas) perante a empresa);
  • Efetuar o registro dessa emissão na CVM;
  • Emitir e providenciar, junto a uma instituição financeira, a negociação das debêntures ao mercado comprador.

Durante a Emissão, as debêntures são classificadas da seguinte forma:

  • Incentivadas: São aquelas debêntures cujo o objetivo do financiamento seja pra melhoras na infraestrutura (construção de ponte, transmissão de energia elétrica), esses títulos contam com a isenção de IR para seus rendimentos no caso de pessoas físicas;
  • Comuns: São aquelas cujo o objetivo da captação de recursos não estejam relacionados a infraestrutura da empresa, tais investimentos são tributados conforma a tabela regressiva de tributação de renda fixa.

Os investidores que tiverem interesse por tais ofertas adquirem cotas dessa debênture, se tornando assim “debenturistas”, que são as pessoas que possuem debêntures, e tem o objetivo de auferir os rendimentos divulgados pela empresa ao final do prazo liquido de IR no caso de pessoas físicas.

Caso os debenturistas queiram o resgate do valor investido antes do prazo, podem fazê-lo, porém estão sujeitos à variação de mercado para tal investimento.

Títulos de crédito privado são considerados uma boa forma de diversificação de carteira com ativos indexados ao IPCA, ou seja, que garantem um retorno real, acima da taxa de inflação, e por isso é recomendado o uso de aproximadamente 15% da carteira.

Com isso concluímos nossa introdução aos investimentos relacionados a crédito privado, caso tenha interesse em investir nesse tipo de investimento, entre em contato com seu assessor Bluetrade.

Compartilhe esse artigo: